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    13 de setembro de 2009

    Previsão do tempo nunca terá 100% de acerto, dizem meteorologistas

    Antes de sair de casa e optar por deixar a sombrinha em cima da mesa só porque a previsão do tempo mostra que não vai chover, saiba que você terá pelo 10% de chance de se molhar. Como o próprio nome diz, a previsão do tempo trabalha com probabilidades e nunca terá 100% de acerto, segundo meteorologistas.
    Para a última terça-feira, por exemplo, os institutos previam para a capital paulista um dia de sol entre nuvens com chuvas moderadas. Na prática, São Paulo registrou chuva recorde e viveu um dia de caos.
    Das 8h às 17h foi registrado um volume de 70,4 milímetros de chuva. “Foi uma situação excepcional, que nenhum modelo meteorológico conseguiu prever”, admite Fabiana Weykamp, meteorologista do Climatempo. E nenhum meteorologista também, já que são eles que interpretam os dados fornecidos por computadores.
    “A gente sabia que a frente fria vinha forte e traria chuva, mas não que ia chegar com essa intensidade e com queda de granizo. O modelo não indicava e a gente se baseia nele”, acrescenta Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
    No Estado de São Paulo, de acordo com o Inmet, há 29 estações automáticas de medição – onde radares enviam as informações aos institutos a cada cerca de 10 minutos - e 16 convencionais – onde o observador vai três vezes por dia medir. Entre os dados avaliados, estão: umidade do ar, pressão, velocidade do vento e temperatura.
    Os meteorologistas consultados pela reportagem do Último Segundo são unânimes em dizer que a quantidade de chuva é o índice mais difícil de ser estimado. Isso porque as estações representam toda uma região. Com isso, pode-se dizer, por exemplo, que vai chover em uma zona da cidade, mas não determinar com precisão quais os bairros serão atingidos, nem com qual intensidade. “O ideal seria ter mais estações meteorológicas, isso ajudaria nos modelos estatísticos”, afirma Luiz Kondraski, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
    “A queda de granizo ocorre de forma isolada. Você vê uma área de instabilidade enorme, mas nela tem regiões com diferentes precipitações de chuva”, explica Neide.
    Uma previsão próxima da perfeição, segundo eles, ocorreria se houvesse um aparelho de medição a cada metro, o que é impossível. Mesmo assim, os institutos não estariam blindados contra possíveis erros. “A atmosfera é muito dinâmica”, afirma Neide.
    O atual período, conforme os especialistas, traz um agravante contra as previsões do tempo porque o Brasil está numa época de transição de estação – do inverno para a primavera. “Muitos sistemas passam e há diferenças massas de ar na atmosfera já que estamos saindo de uma estação mais fria e seca no Sudeste para outra mais quente e úmida”, afirma Luiz Kondraski.
    De acordo com os meteorologistas, hoje, uma previsão feita com até 24 horas de antecedência tem até 95% de acerto. Há alguns anos, esse índice não chegava a 90%. “Evoluiu muito”, afirma Kondraski, que desde 1995 trabalha como meteorologista.
    Segundo Fabiana, do Climatempo, houve grande melhoria também nos computadores utilizados para fazer a previsão do tempo e, toda vez que há um evento que não é percebido, como na última terça-feira, faz-se um estudo para saber porque não o detectaram.
    As chances de acerto, no entanto, diminuem significativamente com o aumento do intervalo de tempo. Com cinco dias de antecedência, os acertos caem para cerca de 80%. Quando começou, Kondraski diz que o índice de 70% de acerto adotado hoje para previsões com sete dias de antecedência era usado para cinco dias.
    No Inpe, Kondraski esclarece ainda que há previsões feitas com até 15 dias, mas, nestes casos, a chance de erro é de 50%.
    Desta forma, a recomendação é: fique atento às previsões, confie, mas não se esqueça de ter sempre um guarda-chuva ao alcance.
    Fonte: Último Segundo

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