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    18 de dezembro de 2009

    Reportagem Especial: Arquipélagos de calor

    ARQUIPÉLAGOS DE CALOR

    Por: ADRIANA MARIANO

    112 anos de Belo Horizonte: de clima agradável à insalubridade e poluição
    A temperatura em Belo Horizonte tem aumentado significativamente no último século. Estudos mostram que entre 1911 e 1928, a cidade possuía um clima ameno e salubre em toda sua extensão, devido ao baixo índice de poluentes na atmosfera. Hoje o que se verifica em BH é um fenômeno conhecido como “ilha de calor”, que são manchas urbanas que retêm mais calor e concentração de poluentes no ar, e que elevam as temperaturas médias nesses locais.
    O professor de climatologia do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Wellington Assis, verifica que em BH existe um arquipélago de calor, já que a cidade apresenta várias ilhas ao longo de toda sua extensão. No centro da cidade, por exemplo, existe uma na região da Praça Sete, e outra na região próxima do Parque Municipal. Uma maneira de se perceber a elevação da temperatura é andar na avenida Afonso Pena, saindo do Parque em direção a Praça Sete.
    Os climas locais, chamados pelos climatologistas de microclimas, são caracterizados, principalmente, por fatores geográficos como localização, topografia, hidrografia e uso e ocupação do solo. Em seu estudo publicado em 2001, o professor Wellington Assis concluiu que o tamanho da parte urbanizada e o número de pessoas que circula em uma região interferem nas temperaturas locais. Quanto maior for uma estrutura urbana, - que apresenta grande número de pessoas por metro quadrado e maior parte do solo impermeabilizado - maiores serão as fontes produtoras de poluição e, conseqüentemente, as temperaturas médias nesses locais.
    Em Belo Horizonte, além do fenômeno das ilhas de calor, existem também diferentes microclimas. O alto grau de urbanização da cidade faz com que existam diferenças climáticas entre regiões da capital. Segundo o mestre em climatologia do Instituto de Geociências da UFMG, Rafael Franca, durante o dia as variações de temperatura entre os microclimas de BH são pequenas, alternando em média 0,5°C. É durante a noite que se pode verificar diferenças mais significativas entre um microclima e outro, um exemplo disso foi no último inverno, onde no centro de BH, próximo à Praça Sete, registrou-se temperaturas de 14°C enquanto, no mesmo horário, os termômetros marcavam 8°C na região da Pampulha.
    Mas Franca alerta que o contrário pode ocorrer, pois o relevo é um fator que também influencia os microclimas: “na Pampulha, às vezes, há registro de temperaturas mais altas do que o hipercentro, devido a topografia de cada região, pois a Pampulha está em uma área de baixada, sujeita a extremos térmicos”, afirma.
    O fenômeno das ilhas de calor acarreta problemas ambientais e de saúde à população. O monóxido de carbono (CO), emitido principalmente por indústrias e veículos, reduz a oxigenação das células do corpo e do cérebro, provocando dores de cabeça, vertigem e outras perturbações sensoriais. Os casos de doenças respiratórias como asma, bronquite e pneumonia aumentam, especialmente no inverno, quando as baixas temperaturas levam ao acumulo da poluição no ar, já que o ar frio impede que as partículas poluentes se dispersem. De acordo com dados da Sociedade Mineira de Pediatria, só em Belo Horizonte verifica-se um aumento médio de 30% nos atendimentos de crianças com problemas nas vias aéreas no período de outono-inverno.
    O pesquisador Wellington Assis sugere, em sua dissertação, algumas medidas que podem melhorar as condições de conforto térmico, salubridade do ar e qualidade ambiental. De acordo com ele, o ideal para tornar o ambiente mais agradável seria um planejamento urbano que incluísse a criação de novas áreas verdes e de pequenos espelhos d’água em meio a regiões altamente ocupadas e impermeabilizadas.
    SAIBA MAIS:
    Níveis Climáticos
    Para facilitar os estudos a respeito dos fenômenos climáticos, os climatologistas classificam o clima em três escalas: macro (global), meso (regional) e microclimáticas (local). Isso se deve ao desafio da ciência tentar entender como as intervenções humanas e fatores da natureza interferem nas escalas climáticas, sobretudo nos microclimas. O interesse dos pesquisadores é saber como interferências simples, por exemplo, gramar ou desmatar uma área podem influenciar na escala climática local.

    Um comentário:

    Ana Caroline disse...

    Obrigada por responderem a minha pesquisa! Valeu.