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    18 de janeiro de 2010

    Seca no Vale do Rio Doce e no Espírito Santo

    Os valadarenses não aguentam mais o calorão que tem feito nesse mês de janeiro. Desde o dia 31/12/2009 não chove de forma expressiva na região de Governador Valadares. De 1° de janeiro até hoje, o calor e o sol forte têm predominado na cidade do Vale do Rio Doce. Na tarde da última quinta-feira (14), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) chegou a registrar 36,1° C de temperatura. O calor desse dia precedeu a aproximação de instabilidades de uma frente fria que apenas provocou pancadas de chuva fraca e isolada na região. Na estação automática do INMET, o volume de chuva acumulado em 15/01 não passou de 1 mm. Excluindo o evento desse dia e o do dia 7/01 (apenas 0,8 mm), já são 17 dias sem chuva em Valadares. E a previsão não é nada animadora: pelo menos por mais uma semana não deve chover significativamente na região. Os próximos dias serão de mais sol e muito calor no Vale do Rio Doce.

    Situação parecida é enfrentada pelos capixabas. Em quase todo o Espírito Santo não chove desde o final do ano passado. Na região dos municípios de Nova Venécia e Linhares, centro-norte do estado, não há chuva considerável desde o dia 27/12/2009. Em Nova Venécia, a 225 km da capital capixaba, as temperaturas máximas têm se mantido acima dos 34° C desde o dia 4/01. Na tarde da última sexta (15/01), a estação automática do INMET na cidade registrou 37,0° C! Nesse dia, a máxima chegou aos 35,1° C em Linhares. Em Vitória, capital do estado, a última chuva ocorreu em 31/12/2009, quando o pluviômetro da estação do INMET acumulou 26,2 mm. Após esse evento, os capixabas da capital enfrentam dias consecutivos de sol intenso e muito calor. Na última quinta (14), a máxima chegou aos 34,7° C em Vitória, mas, com toda a umidade marítima, a sensação térmica pode ter ultrapassado os 40° C (à sombra). Para o Espírito Santo a previsão também é de sol, calor e desconforto térmico por, pelo menos, mais uma semana.

    A onda de calor e seca que atinge essas regiões é resultado do predomínio de uma massa de ar quente e seco, associada a um sistema de alta pressão atmosférica - o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul - que dificulta a formação e aproximação de nuvens de chuva. No Espírito Santo e em todo o leste de Minas Gerais (o que inclui a região dos vales dos rios Doce, Mucuri e Jequitinhonha) é comum a ocorrência de períodos de seca em plena estação chuvosa. Os conhecidos “veranicos” costumam ocorrer com maior freqüência entre dezembro e fevereiro e, conforme sugerem alguns estudos recentes, são mais intensos em anos de El Niño. Embora esse tipo de estiagem tenha duração média de 10 a 20 dias, no nordeste de Minas e no centro-norte do Espírito Santo há registros de périodos de até 30 dias sem chuva em pleno verão. Os veranicos são fenômenos conhecidos pelas populações dessas regiões, pois afetam a agricultura, a vazão dos rios e, até mesmo, o abastecimento de água.

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