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    2 de setembro de 2010

    NOTÍCIA: BH tem maior concentração de ozônio do país

    O relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) - Brasil 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que os níveis dos principais poluentes têm se mantido estáveis nas grandes cidades do país, com exceção do ozônio, que ainda é encontrado em altas concentrações.
    As regiões em que a concentração anual máxima foi maior em 2008, segundo o levantamento, foram Belo Horizonte, com 300 g/m³, São Paulo (279) e Rio de Janeiro (233), respectivamente. O padrão considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) é 160 g/m³.

    O ozônio é um forte oxidante, que provoca irritação das mucosas e das vias respiratórias. Ele é gerado, na baixa atmosfera, por reações fotoquímicas entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, oriundos da queima de combustíveis fósseis. Segundo o IBGE, é um poluente de difícil controle, por causa do aumento da frota de veículos automotores nas grandes cidades brasileiras.

    De acordo com o engenheiro químico Gilberto Caldeira Bandeira de Melo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) recebe uma radiação solar maior por causa da altitude. "Como os raios do Sol são um dos ingredientes da formação do ozônio, os mineiros tendem a sofrer mais com os efeitos", explica.

    Ainda segundo o professor, a topografia acidentada, com muitos morros, pode ser um dos motivos para Belo Horizonte - onde circulam cerca de 1,2 milhão de automóveis - ter ficado à frente da cidade de São Paulo - com uma frota estimada em 6,7 milhões de veículos - no ranking do IBGE.

    "As barreiras geográficas naturais exigem mais esforço dos carros e geram uma emissão maior dos gases que compõem o ozônio", afirma Gilberto. Na opinião do engenheiro químico, a falta de uma política pública para o controle da poluição pode ter consequências graves. "A exposição ao ozônio ao longo dos anos causa a destruição de células e tecidos, favorecendo o surgimento de doenças e acelerando, por exemplo, o envelhecimento", alerta.

    Usada como desinfetante, a substância tem o poder de destruir material celular e possui características cancerígenas. "É uma substância muito agressiva, tanto para o ser humano, quanto para a natureza. A produção agrícola, no futuro, também poderá ser afetada pela emissão exagerada de ozônio na atmosfera", acrescenta o especialista da UFMG.
    Entenda:
    - O ozônio presente em excesso na atmosfera de Belo Horizonte e outras capitais do país não é aquele da camada de ozônio, que protege o planeta contra a radiação ultravioleta, extremamente prejudicial à saúde dos seres vivos.
    - O gás ozônio danoso se forma pela ação da luz solar sobre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis liberados na queima da gasolina, diesel e outros combustíveis fósseis.
    - Em excesso no ar, pode causar irritação das mucosas e das vias respiratórias.
    Fonte: O TEMPO
    Foto: Alex de Jesus